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INDEX
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A chegada da
internet comercial abriu inúmeras possibilidade de
comunicação e novas perspectivas para o jornalismo. Os
fanzines não passariam ao largo dessa revolução. As
experimentações dos fanzines nessa nova mídia, além de
outros suportes eletrônicos é o que nos apresenta A
mutação radical dos fanzines. |
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A
mutação radical dos fanzines
Henrique
Magalhães
Coleção
Quiosque, nº 9
2005.
72p. 12 x 18cm. R$ 10,00 |
História
em Quadrinhos: Essa
desconhecida arte popular
Thierry Groensteen
propõe uma pedagogia para a história em quadrinhos. |
Fanzine
Edgard
Guimarães, um dos mais atuantes editores independentes no Brasil, expõe o processo de
criação dos fanzines.
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O
Herói na Grécia antiga
As
transformações da sociedade e a formação da
cultura na Grécia antiga tendo como referência a representação de seus
heróis.
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Thierry
Groensteen
Nº 1.
2004. 50p. 12 x 18cm. R$ 10,00 |
Edgard
Guimarães
Nº 2.
2004.
60p. 12 x 18cm. R$ 10,00 |
Wellington
Srbek
Nº 3.
2004.
64p. 12 x 18cm. R$ 10,00
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História
em Quadrinhos e Arquitetura
Edgar
Franco traça a interseção entre as
histórias em quadrinhos e a arquitetura.
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Entrequadros
Entrevistas
com, Nilson, Flavio Colin, Angeli, Júlio Shimamoto, Jô
Oliveira, Lourenço Mutarelli, Mozart Couto, entre outros.
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Miracleman:
um outro mito ariano
Análise
sobre a personagem Miracleman, de Alan
Moore, que baseou-se nos conceitos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.
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Edgar
Franco.
Nº 4. 2004. 84p. 12 x 18cm. R$
10,00. |
Wellington
Srbek.
Nº 5. 2004. 64p. 12 x 18cm. R$
10,00
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Márcio
Salerno.
Nº 6.
2004. 64p. 12 x 18cm. R$ 10,00
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A
nova onda dos fanzines
Estudo
sobre o desenvolvimento dos fanzines e as publicações independentes no
Brasil desde a sua origem até a década de 1990.
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Ciência
e quadrinhos
As
descobertas científicas nas histórias em quadrinhos, sua
evolução e antecipações.
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Henrique
Magalhães.
Nº 7. 2004.
84p. 12 x
18cm. R$ 10,00
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Gian
Danton.
Nº 8.
2005.
60p. 12 x 18cm. R$ 10,00
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ENSAIOS SOBRE HQ E CULTURA POPULAR
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O
Rebuliço apaixonante dos fanzines
Os fanzines
e a cultura alternativa no Brasil desde sua origem até o final
dos anos
1980.
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Falas
& Balões
Análise
sobre o texto nas histórias em quadrinhos de várias
épocas. |
O
Rock paraibano nos anos 80
A
história do rock na Paraíba nos anos 1960 e 1970. |
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Henrique
Magalhães.
2003. 114p. 17 x 24cm. R$
20,00.
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Marcos
Nicolau.
1998.
46p. 20 x 27,5cm. R$ 10,00. |
Fábio
Queiroz & Rogério Nunes.
1998. 78p. 19 x 26cm. R$ 10,00. |
 A
Palavra em ação
Obra
pioneira, apresenta os passos para a concepção de
roteiros para histórias em quadrinhos, mas que se aplica a qualquer
projeto audiovisual. |
No
ar: as pequenas notáveis!
A
implantação das rádios livres no Brasil e em particular na Paraíba,
nos anos 1980.
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A
Saga arrebatadora de Se Toque
História
da revista cultural paraibana Se Toque, lançada
nos anos 1980.
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Marcelo Marat
2004.
2ª ed. 104p. 14 x 20cm. R$ 12,00. |
Bertrand
Lira
1998.
82p. 12 x 18cm. R$ 10,00.
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Sandra
Albuquerque & Henrique Magalhães
1997.
64p.
12 x 18cm. ESGOTADO. |
Raul
Seixas e a modernidade
Sonielson
analisa o fenômeno
Raul Seixas, abrindo possibilidades de debate sobre o legado
do “maluco beleza”.
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Bastianas
Formado
por garotas destemidas, que deixaram a Paraíba para ganhar o
Brasil, o grupo Bastianas têm uma história de luta pra
contar, embalada pelo
mais autêntico forró.
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Sonielson
Juvino Silva
2004.
132p. 13 x 19cm. R$ 15,00
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Célia
Rejane Negreiros e Andréa Mesquita
2004.
60p. 12 x 18cm. R$ 10,00
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Por
uma pedagogia para as histórias em
quadrinhos
Assunto
de moda, os quadrinhos, todavia, continuam sendo, como afirma
Thierry Groensteen, uma matéria pouco conhecida. Em
seu ensaio, Thierry reforça o conceito dos quadrinhos como arte, ao
destacar seus códigos particulares, sua linguagem própria, seja
representada pelos cortes, pelas elipses, seja pela paginação, e
acrescentamos a invenção do balão, das onomatopéias e os inúmeros
sinais gráficos tão plenos de representatividade.
Thierry
Groensteen propõe algo como uma pedagogia para as histórias em
quadrinhos, com o objetivo de ultrapassar o estágio da educação
de leitura da imagem onde nos encontramos. O objetivo seria a formação
do gosto do público para a apreciação do desenho. A
representação do desenho, assim, deixaria de estar em segundo
plano nos quadrinhos, em função da história, tornando-se “uma
escrita singular, a expressão de uma sensibilidade e o resultado de
uma habilidade”. A evolução dos quadrinhos na França, no Brasil
ou em qualquer parte, passa, portanto, pelo amadurecimento do público,
com o refinamento de seu gosto e discernimento.
Hm.
início |
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A
Aventura dos fanzines
O
Rebuliço apaixonante dos fanzines,
baseado na dissertação de Mestrado de Henrique Magalhães, que foi
o primeiro trabalho acadêmico do gênero no país, aborda a história
dos fanzines desde seu início, na década de 1930, nos Estados
Unidos, até a produção brasileira da década de 1980. Mas o
trabalho concentra-se mesmo ha história dos fanzines no Brasil, que
teve sua primeira publicação em 1965, em Piracicaba, sob o comando
de Edson Rontani. Este fanzine pioneiro chamou-se Ficção, e
era o boletim do Intercâmbio Ciência-Ficção Alex Raymond.
Além
de definir o termo fanzine, o livro, ricamente ilustrado,
classifica esses magazines em vários gêneros, com fanzines de música,
literários, de cinema, além de quadrinhos, estes merecendo uma
atenção especial do autor. Inserido no meio da produção – pois
editava há anos suas revistas alternativas e seus próprios
fanzines – o autor sentiu-se à vontade para dialogar com os
editores de várias partes do país. A produção de fanzine é fluídica,
pulsa e vibra em qualquer recanto que tenha um mimeógrafo ou uma
fotocopiadora.
Por
fanzine, entende-se os boletins amadores, sem fins lucrativos,
feitos muitas vezes de forma artesanal (com colagens, impressos em
mimeógrafos ou fotocópias). São editados quase sempre em pequenas
tiragens e servem para a expressão livre de seus editores a
respeito de qualquer arte ou hobby. No Brasil, a maioria é
feita por indivíduos e não grupos organizados, mas eles mantêm
entre si um forte intercâmbio de publicações e informações,
criando uma verdadeira teia de comunicação e estreitando os laços
de amizades. Os fanzines servem para a crítica das publicações do
mercado, para o lançamento de novos autores e para as experimentações
gráficas.
Além
da história dos fanzines, o livro descreve seus vários momentos de
esplendor e crise, até a incansável busca de perspectivas e saídas
para a produção. Traz também uma introdução como referencial teórico
à pesquisa, com a definição de imprensa alternativa. Por outro
lado, os anexos mostram o processo de produção dos fanzines e a
descrição de dois fanzines chaves para esse gênero
de publicação: Quadrix, de Worney A. de Souza, e O Grupo
Juvenil, fanzine de nostalgia dos quadrinhos editado por Jorge
Barwinkel.
A
pesquisa chega até 1990, mas aponta para as novas tendências que
se confirmariam no decorrer da década seguinte, como a retomada da
produção e o aperfeiçoamento técnico com a disseminação da
informática.
início |
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O
texto revelado dos quadrinhos
Marcelo
Marat é daqueles que mata a cobra e mostra o pau. Que me
perdoem o lugar comum, mas é o mais exato pra definir o engajamento
do autor com a produção de histórias em quadrinhos. Ele acaba de
nos revelar o processo criativo da arte seqüencial ao descrever os
meandros da elaboração de roteiros para história em quadrinhos.
Seu livro A palavra em ação: a
arte de escrever roteiros para histórias em quadrinhos é um
verdadeiro manual para aprendizes e veteranos nessa arte.
Para
o autor, os objetivos do livro são possibilitar um estudo teórico
sobre a elaboração de roteiros para histórias em quadrinhos,
contribuindo para a formação de novos escritores, bem como
promover o desenvolvimento da visão crítica e artística de
futuros profissionais e leitores de quadrinhos. Marat parte do princípio
de que é necessário contribuir para o aprimoramento dos quadrinhos
produzidos no Brasil, e isto diz respeito não só ao artista como
também ao público.
O
Brasil não só tem memória curta – outro clichê que não
contradiz a realidade – mas também investe pouco na educação e
formação artística. Muito pouco tem sido feito para o
aprimoramento dos quadrinhos no país. Se temos grandes desenhistas
com renome internacional, no que toca o texto temos uma defasagem
monumental, não tanto em relação aos Estados Unidos, onde a
maioria da produção é lixo reciclado, mas em relação à Europa,
onde os quadrinhos ganharam o status de arte. Salvo alguns estudos
acadêmicos, não temos publicações abrangentes sobre o assunto
nem cursos que realmente orientem e promovam a criatividade. O
mercado fechado aos autores nacionais também não possibilita o
exercício e amadurecimento de nossos cartunistas.
Marat
não pretende resolver todos esses problemas com seu livro, mas nos
oferece uma metodologia de trabalho bastante clara e eficaz. Os
exemplos são abundantes em sua obra, que vão da linguagem dos
quadrinhos, com seus balões, planos e ângulos até elementos
fundamentais como ambientação, trama, argumento, narrativa e
elaboração do texto em todas as suas nuances: diálogo, legenda,
metalinguagem, gêneros descritivos etc.
O
trabalho de Marat não se caracteriza como um guia, no sentido próprio
da palavra, não mostra os passos que o roteirista deva seguir. Mas
fornece os meios e ferramentas de como se pode fazer um roteiro,
dando fundamentação teórica para os vôos criativos de cada
autor.
Um
apêndice não obrigatório à obra é o próprio trabalho de
Marcelo Marat. Para exercitar o conhecimento exposto no livro, ele
mesmo se pôs ao trabalho, produzindo a série O Inquilino, fanzine
em 12 edições onde ele desenvolveu vários formatos de roteiros,
com gêneros variados, sempre em parceria com jovens cartunistas de
todo o país. Este exercício foi a melhor forma de Marat auferir o
alcance e funcionalidade de seus roteiros, transformando seu fanzine
num verdadeiro laboratório de histórias em quadrinhos.
Ao
criar o primeiro livro no país a tratar do roteiro para as histórias
em quadrinhos, Marat põe a vaidade de
lado e afirma que pretende, com a obra, apenas servir como um
precursor para trabalhos mais abalizados, com maior peso acadêmico
e de pesquisa e uso de referências mais amplo e completo, se possível
com pontos de vista diferentes. Modéstia de quem sabe que plantou
uma pedra fundamental. Hm
início
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Um
guia para a edição de fanzines
Ao
se falar de fanzines no Brasil temos necessariamente que passar pela
obra de Edgard Guimarães. Quadrinhista exímio, produtor e editor
de inúmeras publicações independentes, Edgard é ainda um
camarada na expressão exata do termo. Seu contato com grande parte
dos editores e leitores de fanzines no país se dá num clima de
cordialidade rara num meio onde vez ou outra explodem egos
insuflados.
Em
plena crise da produção dos fanzines, na segunda metade dos anos
1980, estava Edgard a todo vapor, lançando verdadeiros álbuns temáticos,
reunindo os maiores nomes dos novos autores de quadrinhos. Esse espírito
militante, essa urgência visionária, faria com que ele lançasse
pouco depois um projeto ousado: produzir e distribuir fanzines de vários
editores de todo o Brasil. Em paralelo, passou a editar ele mesmo o
que viria a ser o guia de nossa imprensa autoral, o fanzine Informativo
de Quadrinhos Independentes. Atualmente conhecido apenas como QI,
esta publicação reúne a cada dois meses centenas de títulos de
fanzines, livros e álbuns não só de quadrinhos, mas de tudo o que
circula fora do circuito comercial.
Conhecimento
de causa, portanto, Edgard tem de sobra e não só por teorizações
acadêmicas. Na prática ele construiu uma das mais ricas histórias
do universo dos fanzines, com domínio de todas as suas fases de
produção. É exatamente esta experiência que ele disponibiliza
aos leitores por intermédio do livro que se tem em mãos.
Este
trabalho tem os fanzines como tema, abordando seus variados
aspectos, desde a definição do termo até a distribuição,
passando por temas inusitados, mas interessantes, como a pirataria
nos fanzines, as premiações e a relação com o meio profissional.
Se no livro O Rebuliço apaixonante dos fanzines eu me
detenho mais na trajetória dos fanzines no Brasil, Edgard procura
ser mais didático, oferecendo aos leitores um precioso guia para
quem quer adentrar o meio, com informações objetivas sobre os
caminhos que se deve trilhar para se chegar à edição.
Enfim,
é bom frisar que Fanzine teve sua primeira edição
produzida pelo autor em janeiro de 2000 e se tornou de imediato,
leitura imprescindível para quem admira ou estuda a cultura
alternativa. Esta segunda edição, além de uma reverência ao
trabalho de Edgard, tem o propósito de ampliar ainda mais seu público,
favorecendo a produção independente no país. Hm.
início
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O
herói na Grécia antiga
A
partir da análise de A Ilíada, de Homero, e Édipo Rei,
de Sófocles, Wellington Srbek faz um estudo sobre a figura do herói
na Grécia antiga. A primeira parte do trabalho, intitulado O
poder do Rei, traça um perfil da sociedade micênica e sua
personagem central, o rei. Já em Agamenon, rei de Micenas,
segunda parte do texto, é feita uma introdução ao estudo da obra
de Homero. A terceira parte da monografia, A palavra do poeta,
relaciona o poema que narra os últimos momentos da Guerra de Tróia
com o contexto histórico em que ele surge, e com a sociedade grega
que surgirá a partir dele, inspirada em seus ideais. Desse modo,
Wellington parte do pressuposto de que Homero deve ser visto como
representante de uma instituição grega: os poetas inspirados.
O
autor considera que foi por meio do monopólio da palavra que se
construiu o poder na Grécia antiga: “A força dos nobres
origina-se nos ideais d’A Ilíada,
que além de narrar as batalhas, mostra-nos O
mundo dos deuses e dos heróis, como ele é visto pelos
gregos através das palavras de Homero. Um mundo no qual O
valor guerreiro é o bem maior.”
Foi
ainda por intermédio dos poemas de Homero que a Grécia estruturou
suas instituições, as relações sociais e seu pensamento,
inspirados nos ideais aristocráticos. Contudo, uma nova sociedade
surgiria ao longo dos séculos, fruto das relações sociais e tensões
de classes, afastando-se do mundo homérico. Para Wellington,
“como expressão dessa transição A palavra na polis adquirirá uma nova dimensão. Na medida em
que há uma mudança no estatuto do guerreiro e uma conseqüente
ampliação do espaço público, a palavra deixa de ser monopólio
de uma classe, abrindo espaço para A ascensão da democracia.”
É
essa democracia que se espalha por todos os espaços da cidade, cujo
cenário de novos protagonistas de uma nova história engendraria a
Tragédia, que se traduz no diálogo da cidade consigo mesma, “a
cidade em cena”. Neste contexto, os antigos heróis ressurgem com
novos referenciais: “De modelo para o Homem, o herói
transforma-se em um enigma: o que nos revelam As
faces de Édipo?” É sobre esta transformação do herói
da sociedade micênica à clássica que se debruça o trabalho de
Wellington Srbek, de forma clara, objetiva e com a leveza na
tessitura do texto pouco comum nos escritos acadêmicos.
início
|
Mais
que castelos de areia
É
muito curiosa a proximidade entre os quadrinhos e a arquitetura. Ambos têm
no desenho sua forma de expressão; nos quadrinhos, representando as seqüências
e rupturas espaciais; na arquitetura, a virtualidade da representação
espacial. Contudo, muito acima desses fatores meramente técnicos, o que
leva o arquiteto ao encontro do quadrinhista é a possibilidade de criação
ilimitada de mundos, universos, contextos sociais, personalidades e
personagens que atuarão nesse espaço irreal.
O
lado mais interessante desses dois artistas do traço é o exercício de
seu espírito lúdico. Como não associar os quadrinhos aos jogos
infantis, com suas representações imaginárias de mocinhos e bandidos,
esconderijos, casas de bonecas, castelos encantados e mundos de assombração?
O arquiteto não estaria fazendo o mesmo ao projetar cidades, condomínios,
fábricas e residências que imaginar labirintos e minotauros, jogos de
armar e de tabuleiros?
Se
por um lado o arquiteto tem um objetivo claro, que deve responder à
funcionalidade de sua criação, é justamente nos quadrinhos onde ele
pode exercer todo seu potencial imaginativo. Seja na idealização de
civilizações perdidas, seja na ambientação de espaços urbanos atuais,
seja na invenção pura e simples de outros mundos, algo como uma ciência
da antecipação.
Poder-se-ia
dizer que esse caráter criativo, ou prospectivo, ou voltado à crônica
do quotidiano, ou premonitório, não é um privilégio do quadrinhista
nem do arquiteto, mas que outras artes podem igualmente utilizar o mesmo
campo de criação, a exemplo do teatro, e particularmente do cinema. No
entanto, é nos quadrinhos onde os limites são inexistentes, nem físicos
nem orçamentários, bastando para o artista a utilização de materiais
rudimentares. De seu papel e lápis podem surgir palácios, máquinas
fabulosas, planetas e civilizações distantes, as mais exuberantes
construções, as invenções mais fantásticas.
Ainda
que o arquiteto possa projetar tudo isso, sua arte não se realiza se não
for executada, se não ganhar vida concreta pela ocupação de seus
destinatários. O mundo imaginário do quadrinhista só pede a
cumplicidade do leitor, pois a arte do criador tem no desenho o seu fim.
É
esta realização sem condicionantes, sem contingentes, sem fronteiras físicas
e espaciais que certamente seduz o arquiteto, não sendo raros os casos de
arquitetos que se tornam quadrinhistas. Imaginamos que mais que esse
objetivo prático de realização por meio das imagens desenhadas está o
resgate da liberdade infantil, assim como a possibilidade do fazer poético,
num mundo cada vez mais instrumental.
Edgar
Franco, arquiteto, quadrinhista, deve enxergar os quadrinhos como o espaço
dessas possibilidades infinitas por meio de seu universo mítico, poético,
surreal e filosófico. Com o livro História em quadrinhos e
arquitetura Edgar nos mostra com maestria de sua formação acadêmica
e sua paixão pela arte o quanto a interseção dessas duas expressões
pode ser fecunda.
Num
panorama que vai dos primórdios da linguagem ilustrada e seqüencial aos
quadrinhos contemporâneos, ele traça com inúmeros exemplos as diversas
expressões de quadrinhistas que buscaram na arquitetura o elemento
fundamental para a realização de suas narrativas. Assim como nos aponta
os arquitetos que ultrapassaram a fronteira do racionalismo para se fazer
concretos no mundo dos sonhos.
H.
Magalhães
início
Entrevistas
sobre quadrinhos
A
história dos quadrinhos no Brasil é uma história de resistência e
luta. A busca identitária de seus personagens (a maioria desenraizada de
sua cultura natal ou simulacros de personagens estrangeiros), esbarra no
desinteresse dos leitores, adestrados pela indústria cultural, e
particularmente no descaso das editoras, que investem num mercado de lucro
fácil.
Os
autores, por sua vez, ressentem-se de um espaço próprio para sua expressão
e desenvolvimento. Sem investimento não há produção, sem produção não
há amadurecimento. O que esperar, então, da formação dos autores
nacionais? O objetivo de se chegar ao mercado parece que não há
perspectiva, embora o mercado seja o caminho natural para a cultura de
massa.
Muitas
iniciativas já foram tentadas para se encontrar o espaço de visibilidade
e profissionalismo para nossos quadrinhos, de leis que garantam uma
reserva de mercado à formação de cooperativas, da fundação de
pequenas editoras à bravura do mano-a-mano, com a venda direta aos
leitores, bem no estilo e estratégia da geração mimeógrafo.
Trilhando
seu próprio caminho, temos uma legião de novos autores que só conseguem
se mostrar por intermédio da edição de fanzines e edições
independentes. Cada vez mais prolíferas, essas publicações enfrentam o
desafio da descontinuidade, do círculo de iniciados e o limite das
pequenas tiragens, que não propiciam aos autores mais que as contingências
da produção amadora.
Malgrado
os percalços do mercado, em termos de conteúdo os quadrinhos brasileiros
são abrangentes, indo do universo infantil das personagens de Maurício
de Sousa – único investimento dos quadrinhos de massa nacionais que
realmente funcionam – ao filão do terror, de décadas passadas; da ficção
científica a super-herói, da cultura popular e regional ao humor. Um
universo criativo tão amplo merece uma reflexão aprofundada que aponte
as razões para seu ostracismo e, principalmente, para a compreensão da
força que move sua visceral resistência.
É
a partir desses questionamentos que Wellington Srbek, pesquisador exímio
que dedicou seu mestrado e doutorado à investigação sobre as histórias
em quadrinhos, realiza uma série de entrevistas com autores brasileiros
representativos de vários momentos de criação e processos de produção,
traçando um importante painel não só histórico e raro, mas, sobretudo, por
instigarem a reflexão.
Num
país onde a leitura é um hábito elitizado, um livro com entrevistas
sobre quadrinhos, um assunto ao mesmo tempo popular e marginalizado, é
uma proeza que mostra bem o quanto se tem ainda a trilhar para que se
atinja um estágio razoável de reconhecimento e valoração de uma arte
secular.
HM
início

Aventura
e reflexão
Os
super-heróis como apresentados em meados do século XX não existem mais.
Sua ingenuidade voluntariosa, sua apologia ao bem e à justiça deram
lugar à supremacia da força e à sede de poder. Alguns chegaram mesmo a
se converter em maus, como se deu com o jovem Kid Miracleman, o
mais novo dos personagens da família Miracleman.
As
histórias simplórias do bem contra o mal se transformaram em enredos
rebuscados e repletos de referências bibliográficas, quem sabe para dar
um caráter mais adulto e verossímil a um mundo em sua gênese
fantasioso. Na década de 1960 já tínhamos a trama dramatizada e
problematizada de personagens como Homem Aranha e Capitão América.
Era uma forma de aproximar o mundo fantástico do mundo real dos jovens
leitores da ficção alucinada dos super-heróis. O resultado foi a
transformação completa desse universo mitológico, mudando os rumos de
um gênero em vias de esgotamento.
A
evolução dessa diretriz levou mesmo à própria negação do super-herói,
como se vê em Batman, O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller,
onde um personagem envelhecido e psicótico não distingue mais os limites
entre o bem e o mal. Mas, talvez os trabalhos mais complexos em função
de sua linguagem, conceito e referências sejam as séries Monstro do Pântano,
Sandman, Watchmen e, é claro, Miracleman.
Miracleman,
tendo sido criado como Marvelman em substituição ao Capitão
Marvel por motivos judiciais, sofreu, da mesma forma, uma série de
percalços na seqüência de seu desenvolvimento, com interrupções de
sua produção. A retomada do personagem pelo roteirista Alan Moore trouxe
uma verdadeira renovação aos quadrinhos.
Para
Márcio Salerno, Alan Moore, com Miracleman, praticamente inaugurou
a tendência do uso de referências intelectuais, populares, artísticas e
underground nas HQ adultas, utilizando, em particular, os conceitos
do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Miracleman viria a ser o
personagem que encarnaria com mais perfeição o mito do Super-Homem.
Trata-se aqui não do Superman, personagem de Jerry Siegel e Joe
Schuster, mas do mito ariano preconizado por Hitler e o Nazismo, o homem
superior, perfeito, de corpo e alma absolutamente sadios.
O
propósito de Márcio Salerno com este ensaio é revelar aos leitores o
que está por trás da série Miracleman e sua aproximação com o
mito nietzscheano. A idéia de que o poder corrompe adquire uma escala
superlativa ao se aplicar ao superpoder. É justamente esta a idéia que
permeia a criação de Miracleman. Hm.
início
A
nova onda dos fanzines
Os
fanzines, esses pequenos boletins de fãs, surgiram nos Estados Unidos na
primeira metade do século XX, tornando-se o veículo dos novos autores da
literatura popular, com destaque para a ficção científica. A difusão
massiva das histórias em quadrinhos fez surgir também os fanzines sobre
o tema, que se espalharam por vários países, despertando o interesse do
público e incentivando a produção local. Os franceses atribuem aos
fanzines o importante papel de revistas de estudo sobre a figuração
narrativa e a responsabilidade pela afirmação dessa popular forma de
expressão como verdadeira arte.
Os
primeiros fanzines brasileiros surgiram em meados dos anos 1960, tendo
como pioneiro Ficção, lançado por Edson Rontani em 1965, em
Piracicaba, SP. Foi nessa época que começaram a circular os boletins
amadores com anúncios de troca e venda de revistas, críticas e comentários
sobre as histórias em quadrinhos.
A
história dessas publicações amadoras foi analisada na dissertação de
Mestrado de Henrique Magalhães, apresentada em 1990 na Universidade de São
Paulo. O período estudado perfazia desde o surgimento dos fanzines no
Brasil até o final da década de 1980, quando se deu a crise em sua produção.
Esse trabalho rendeu dois livros: Um resumo da dissertação em O que
é fanzine, editado na Coleção Primeiros Passos, da editora
Brasiliense, e O Rebuliço apaixonante dos fanzines, com o texto
completo e ilustrado, publicado pela editora Marca de Fantasia em conjunto
com a Editora Universitária da UFPB.
A
nova onda dos fanzines retoma a história dessas publicações e sua
consolidação como fenômeno no meio independente, analisando as
transformações ocorridas em seu modo de produção a partir da década
de 1990. O objetivo do trabalho não é o esgotamento do tema nem o
levantamento exaustivo de todos os fanzines editados, mas o estudo de
alguns aspectos significativos desse gênero de publicação e seu
desenvolvimento como forma de produção.
Essa
década representou uma verdadeira transformação no processo editorial
dos fanzines no Brasil e significou a retomada de sua produção de forma
mais sólida e inovadora. Foram tantas as experimentações e propostas
editoriais que só isto bastaria para o desenvolvimento do corpo deste
trabalho.
início
Sempre
provocante, a obra de Raul Seixas continua muito popular, conseguindo
atrair novas gerações com sua mensagem irreverente e por vezes
transcendental. A editora Marca de Fantasia, voltada para a cultura pop e
as histórias em quadrinhos, traz a público mais uma obra ligada à música
popular: Raul Seixas e a modernidade: uma viagem na contramão, de
Sonielson Juvino Silva.
Para
Sonielson, a idéia inicial deste trabalho surgiu da percepção de que
Raul Seixas, mesmo morto, não só permanecia no imaginário musical
brasileiro como até conseguia adquirir novos admiradores. A formatação
original seria a publicação de pequenos ensaios em jornais, cada um com,
no máximo, uma página. Porém, à medida que as pesquisas avançaram, as
discussões tornaram-se mais amplas e os ensaios foram ficando maiores,
convertendo-se em capítulos, e, estes, no livro.
A
originalidade do trabalho de Sonielson está na abordagem. Geralmente, os
livros sobre cantores no país restringem-se a apresentar estudos biográficos,
antologias, entrevistas etc. Por outro lado, temos também obras apologéticas
de fãs ardorosos. Sonielson parte para uma análise mais elaborada e, ao
mesmo tempo, mais isenta do fenômeno Raul Seixas, abrindo possibilidades
de debates sobre o legado do “maluco beleza”.
Apesar
de o texto de Sonielson ser bem fundamentado, com um rico manancial de
citações e referências, ele ressalta que não se trata de uma obra com
rigor acadêmico. Nas Notas de rodapé encontram-se, eventualmente,
informações adicionais sobre os assuntos vistos a cada parágrafo dos
textos.
A
obra está dividida em capítulos curtos e de fácil leitura, que podem
ser lidos isoladamente. Contudo, a seqüência apresentada no livro segue
a cronologia da vida do cantor. Somente algumas músicas, notadamente dos
LPs Krig-há,bandolo e Gita, foram tratadas isoladamente,
devido à importância que tiveram na carreira do cantor. O penúltimo capítulo
faz uma abordagem vertical das capas dos discos de Raul, perpassando por
toda a sua carreira artística.
Sonielson
conclui que o caráter não-moderno da obra de Raul Seixas deslocou
a sua obra do tempo em que viveu, tornando-a de fácil aceitação em
qualquer época; não a identificando com um movimento histórico específico,
e possibilitando a sua permanência até os dias de hoje.
início
A
Ciência na ótica dos quadrinhos
Ciência
e Quadrinhos, oitavo volume da Coleção Quiosque, é uma grande
pedida para as pessoas interessadas em analisar como os roteiristas de HQ
utilizam a ciência e a técnica em suas histórias. O livro é a transcrição
do primeiro capítulo da dissertação de mestrado de Gian Danton (pseudônimo
do professor universitário Ivan Carlo Andrade de Oliveira), defendida na
Universidade Metodista de São Paulo, em 1997.
Em
seu trabalho, Gian livro mostra como no começo, as histórias em
quadrinhos têm uma relação de maravilhamento com a ciência. É uma
fase ingênua, em que os cientistas são mostrados de forma romântica,
como solitários benfeitores da humanidade ou solitários malucos, prontos
para usar as suas descobertas para escravizar a humanidade. Num segundo
momento, os cientistas são mostrados como fazendo parte de projetos
governamentais, muitas vezes de natureza militar. Finalmente, em um
momento mais recente, os quadrinistas passam a fazer uma avaliação crítica
da ciência, divulgando novos paradigmas e denunciando aspectos ideológicos
do fazer científico.
A
idéia para o livro surgiu a partir da grande procura por obras do gênero.
“Muitos professores, interessados em usar as histórias em quadrinhos em
suas aulas de ciências me mandavam e-mails perguntando se minha dissertação
de mestrado já havia sido publicada. Percebi que havia a falta de um
livro que analisasse como os quadrinhos podem refletir sobre a realidade
científica e como isso pode ser feito sem perder o caráter de diversão
dos gibis”, afirma o autor.
Gian
Danton é autor de vários livros voltados ao jornalismo e à cultura pop,
além de organizador da coletânea Agulha Hipodérmica – o poder e os
efeitos dos meios de comunicação de massa. Em 1999 recebeu o Prêmio
Especial Nova-SBAF por uma de suas histórias, ilustrada por Antônio Éder,
publicada na revista Manticore Especial (editora Monalisa).
Colabora
freqüentemente com diversos fanzines e publicações alternativas literárias
e de quadrinhos. Atualmente é professor universitário em Macapá, Amapá.
início
Trajetória
das Bastianas é tema de livro
O
grupo nasceu em João Pessoa, Paraíba, com o objetivo de resgatar e
divulgar a cultura nordestina. O encontro deu-se em março de 1999, na
Universidade Federal daquele estado, onde estas jovens garotas estudavam.
Apaixonadas pela música, quanto mais adentravam neste universo, seja
erudito ou popular, mais se encantavam. A influência de Luiz Gonzaga,
Sivuca, João do Vale, Marinês, Lia de Itamaracá, Dominguinhos e outros
ilustres nordestinos é inegável! Está intrínseca em suas composições
e arranjos de forma única e original.
Desde
que surgiu, o grupo conquistou muitos prêmios e espaço em jornais,
emissoras de rádio, sites e importantes emissoras de televisão em todo
Brasil, entre eles a Rede Globo e a TV Cultura. Participaram de eventos de
norte a sul do país, dentre eles o maior São João do Mundo em Campina
Grande/PB, Circuito Sesc/SP, Congressos Internacionais do Ministério da
Saúde, shows em cidades em vários estados, como Bahia, Paraíba,
Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Paraná etc.
No
primeiro CD de Bastianas, há clara homenagem ao Rei do Baião Luiz
Gonzaga através da regravação da célebre canção “Asa Branca”
(Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Além desta faixa, a homenagem ao Rei do
Rojão Jackson do Pandeiro, constante na música “Uma Levada Maneira”,
torna evidente as influências de Jackson e Luiz Gonzaga na formação do
grupo. Além disso, o CD intitulado “Chama Pra Dançar”, faixa-título,
está recheado de xotes, baiões, xaxados e quadrilha, e ainda conta com
as participações especiais de Dominguinhos e do grupo Cabruêra.
O nome do grupo é uma homenagem ao Paraibano Jackson do Pandeiro
que gravou com grande sucesso a música “Sebastiana” (Rosil
Cavalcanti). Além disso, é uma forma de homenagear o povo nordestino e o
brasileiro como um todo, através da sua forma carinhosa e
tradicional de apelidar os amigos, como Biu, Zé, Tião etc.
Estas
jovens mulheres, por amor à música e à cultura brasileira, seguem seu
caminho espalhando alegria por todo país e fora dele, através da autêntica
raiz nordestina com pitadas de vestimentas contemporâneas.
A
trajetória do grupo foi tema da grande reportagem “As
Bastianas — Origem, percurso e percalços: A sanfona ainda não
desafinou”, de
Célia
Rejane Negreiros e Andréa Mesquita, apresentada
para a conclusão do Curso de Comunicação Social da UFPB.
Este trabalho transformou-se no livro “Bastianas”.
início
Um
universo em ebulição
Fonte
de investigação inesgotável, o fanzine como fenômeno editorial tem
rendido nos últimos anos cada vez mais interesse nos meios acadêmicos.
Professores e estudantes de graduação e pós-graduação de
universidades de todo o país têm se debruçado sobre essas pequenas
publicações, produzindo artigos, monografias e dissertações sobre vários
aspectos de sua edição.
A
presente obra tem nos trabalhos acadêmicos sua motivação. O primeiro
texto, “Fanzine no campo da Folkcomunicação”, trata-se de um artigo
apresentado no Congresso Brasileiro de Folkcomunicação, ocorrido em
Santos, SP, em maio de 2002. O segundo, “Fanzine e a revolução telemática”,
é a seqüência de um estudo iniciado no Mestrado de Ciências da
Comunicação da Universidade de São Paulo. Este também é um artigo
acadêmico, tendo sido apresentado no Congresso Brasileiro de Ciências da
Comunicação, da Intercom, em setembro de 2003, em Belo Horizonte.
Foi
no Mestrado da USP que dei início às pesquisas sobre o universo do
fanzine, traçando um paralelo com a imprensa alternativa que vigorou no
país nas décadas de 1960 e 1970. Nesse estudo pioneiro no campo da
comunicação, foi preciso definir o que é fanzine, registrar sua origem
e história desde 1965, quando foi lançado Ficção, em
Piracicaba, SP, pelas mãos de Edson Rontani, até a conclusão da
pesquisa, em 1990.
O
resultado desse trabalho rendeu, além de artigos, três livros desse
autor e mais uma porção de pesquisas desenvolvidas por estudantes
universitários de todo o país. Os livros resultantes da dissertação
foram: O que é fanzine, editado pela Brasiliense em 1993 na Coleção
Primeiros Passos, que aborda apenas a parte histórica da pesquisa; O
rebuliço apaixonante dos fanzines, editado pela Marca de Fantasia em
2003, que é a adaptação do texto integral da dissertação amplamente
ilustrado; e finalmente A nova onda dos fanzines, também editado
pela Marca de Fantasia em 2004, que atualiza a pesquisa analisando o
desenvolvimento do fanzine e outras publicações semelhantes a partir de
1990 até o início dos anos 2000.
Um
aspecto abordado apenas superficialmente nesse último livro – a fantástica
revolução dos meios de comunicação com o advento da internet e outras
mídias eletrônicas – é o corpo desse novo trabalho. O fenômeno fanzine
ampliou-se e ultrapassou os limites do papel impresso. Agora encontramos
fanzine em vídeo, em CD-Rom, na rede de computadores por meio de revistas
eletrônicas e grupos de discussão e até na já obsoleta fita cassete.
Todas
essas novas formas de arquivar e transmitir informações não ficariam
muito tempo longe da inquietude dos editores de fanzine. As vantagens dos
meios eletrônicos sobre o papel são muitas e alguns editores de fanzine
se entregaram incondicionalmente a sua sedução. Contudo, o meio impresso
também apresenta vantagens inalienáveis, como sua mobilidade, e
permanece como um forte veículo para boa parte dos editores de fanzine.
Essas
mudanças e os rumos que tem tomado o fanzine carecem de um estudo mais
sistemático, mas há que se considerar que os meios eletrônicos apenas
começam a ser descobertos e que existe uma perspectiva ilimitada para seu
desenvolvimento. Este, portanto, é um trabalho de investigação inicial,
que pretende fazer um registro das novas tendências já observadas no
fanzine e uma análise de suas resoluções. Como no trabalho realizado no
Mestrado da USP, esperamos que o mesmo sirva como referência para outras
pesquisas que revelem mais aspectos desse fantástico mundo que é a edição
de fanzine.
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NOVO
ENDEREÇO
Pedidos
com cheque nominal ou vale postal para Henrique Paiva de Magalhães. Rua
Antônio Lira, 970/303. João Pessoa, PB. 58045-030 - Para
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