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 ENSAIOS

 

 A chegada da internet comercial abriu inúmeras possibilidade de comunicação e novas perspectivas para o jornalismo. Os fanzines não passariam ao largo dessa revolução. 

As experimentações dos fanzines nessa nova mídia, além de outros suportes eletrônicos é o que nos apresenta A mutação radical dos fanzines.

   

A mutação radical dos fanzines

Henrique Magalhães

Coleção Quiosque, nº 9

2005. 72p. 12 x 18cm. R$ 10,00

 

 

 COLEÇÃO QUIOSQUE

História em Quadrinhos: Essa desconhecida arte popular

Thierry Groensteen propõe uma pedagogia para a história em quadrinhos. 

Fanzine

Edgard Guimarães, um dos mais atuantes editores independentes  no Brasil, expõe o processo de criação dos fanzines.

O Herói na Grécia antiga

As transformações da sociedade e a formação da cultura na Grécia antiga tendo como referência a representação de seus heróis.

Thierry Groensteen

Nº 1. 2004. 50p. 12 x 18cm. R$ 10,00

Edgard Guimarães

Nº 2. 2004. 60p. 12 x 18cm. R$ 10,00

Wellington Srbek

Nº 3. 2004. 64p. 12 x 18cm. R$ 10,00

História em Quadrinhos e Arquitetura

Edgar Franco traça a interseção entre as histórias em quadrinhos e a arquitetura.

Entrequadros

Entrevistas com,  Nilson, Flavio Colin, Angeli, Júlio Shimamoto, Jô Oliveira, Lourenço Mutarelli, Mozart Couto, entre outros. 

Miracleman: um outro mito ariano

Análise sobre a personagem Miracleman, de Alan Moore, que baseou-se nos conceitos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Edgar Franco.

Nº 4. 2004. 84p. 12 x 18cm. R$ 10,00. 

Wellington Srbek. 

Nº 5. 2004. 64p. 12 x 18cm. R$ 10,00

Márcio Salerno. 

Nº 6. 2004. 64p. 12 x 18cm. R$ 10,00

A nova onda dos fanzines

Estudo sobre o desenvolvimento dos fanzines e as publicações independentes no Brasil desde a sua origem até a década de 1990.

Ciência e quadrinhos

As descobertas científicas nas histórias em quadrinhos, sua evolução e antecipações.

 

Henrique Magalhães. 

Nº 7. 2004. 84p. 12 x 18cm. R$ 10,00

Gian Danton.

Nº 8. 2005. 60p. 12 x 18cm. R$ 10,00

 

 ENSAIOS SOBRE HQ E CULTURA POPULAR

O Rebuliço apaixonante dos fanzines

Os fanzines e a cultura alternativa no Brasil desde sua origem até o final dos anos 1980. 

Falas & Balões

Análise sobre o texto nas histórias em quadrinhos de várias épocas. 

O Rock paraibano nos anos 80

A história do rock na Paraíba nos anos 1960 e 1970.

Henrique Magalhães.

2003. 114p. 17 x 24cm.  R$ 20,00.

Marcos Nicolau.

1998. 46p. 20 x 27,5cm. R$ 10,00.

Fábio Queiroz & Rogério Nunes.

1998. 78p. 19 x 26cm. R$ 10,00. 

A Palavra em ação

Obra pioneira, apresenta os passos para a concepção de roteiros para histórias em quadrinhos, mas que se aplica a qualquer projeto audiovisual. 

No ar: as pequenas notáveis!

A implantação das rádios livres no Brasil e em particular na Paraíba, nos anos 1980. 

A Saga arrebatadora de Se Toque

História da revista cultural paraibana Se Toque, lançada nos anos 1980. 

Marcelo Marat 

2004. 2ª ed. 104p. 14 x 20cm. R$ 12,00.

Bertrand Lira

1998. 82p. 12 x 18cm. R$ 10,00.

Sandra Albuquerque & Henrique Magalhães

1997. 64p. 12 x 18cm. ESGOTADO.

Raul Seixas e a modernidade

Sonielson analisa o fenômeno Raul Seixas, abrindo possibilidades de debate sobre o legado do “maluco beleza”.

 

Bastianas

Formado por garotas destemidas, que deixaram a Paraíba para ganhar o Brasil, o grupo Bastianas têm uma história de luta pra contar, embalada pelo mais autêntico forró. 

 

Sonielson Juvino Silva

2004. 132p. 13 x 19cm. R$ 15,00

Célia Rejane Negreiros e Andréa Mesquita

2004. 60p. 12 x 18cm. R$ 10,00


 APRESENTAÇÕES

 

Por uma pedagogia para as histórias em quadrinhos

 

Assunto de moda, os quadrinhos, todavia, continuam sendo, como afirma Thierry Groensteen, uma matéria pouco conhecida. Em seu ensaio, Thierry reforça o conceito dos quadrinhos como arte, ao destacar seus códigos particulares, sua linguagem própria, seja representada pelos cortes, pelas elipses, seja pela paginação, e acrescentamos a invenção do balão, das onomatopéias e os inúmeros sinais gráficos tão plenos de representatividade.

Para quem foi educado lendo quadrinhos, nada mais natural que deixar fluir sua dinâmica, que não demanda nenhuma explicação. No entanto, Thierry aponta o que ele chama de estranhamento e ignorância de boa parte das pessoas que nunca leram uma revista em quadrinhos, em particular aquelas que sentiram a repressão sobre essa forma de expressão. A essas pessoas ele atribui a curiosa classificação de anicônico, uma analogia a analfabeto, ou seja, aquele que não entende os ícones, pessoas com uma formação essencialmente textual.

Há que se considerar, também, que, mesmo para aqueles que são alfabetizados pelas imagens, ainda que essa fruição lingüística seja absolutamente natural, o universo que circunda a criação, a produção e a circulação dos quadrinhos engendra um processo muito mais complexo que o que se vê na lógica aparente do mercado. É por esse e outros aspectos que a teoria se torna necessária e como tem demonstrado, inesgotável. Não basta ser aficionado por quadrinhos para entender o que rola nos bastidores de sua produção. Para uma visão mais ampla sobre as políticas editoriais, formação de público e de mercado, renovação do meio e identidade cultural é preciso um pouco de reflexão – ou muita.

O texto de Thierry Groensteen ganha importância não só por sua análise minuciosa sobre os gêneros mais populares de quadrinhos, mas também por elucidar os meandros do que de fato ocorre no país da bande dessinée. Ao contrário do que se pensa – e em muitos pontos se pensa certo sobre a efervescência dos quadrinhos na França – nem tudo é tão promissor quanto parece. Apesar de os quadrinhos franceses terem se tornado uma arte renomada, existem ainda focos de resistência em considerá-la uma arte “séria”. Para muitos educadores e autoridades, os quadrinhos são ainda um passatempo infantil, próprio para iletrados e acometidos de preguiça mental.

Por outro lado, o que resta da grande agitação dos quadrinhos na França, segundo a análise de Thierry, é a acomodação de um mercado que teme o investimento no novo, que reserva aos autores que ousam criar uma obra mais autoral e experimental as pequenas tiragens, quase confidenciais em relação às vendas abundantes de alguns poucos títulos consagrados.

Thierry Groensteen propõe algo como uma pedagogia para as histórias em quadrinhos, com o objetivo de ultrapassar o estágio da educação de leitura da imagem onde nos encontramos. O objetivo seria a formação do gosto do público para a apreciação do desenho. A representação do desenho, assim, deixaria de estar em segundo plano nos quadrinhos, em função da história, tornando-se “uma escrita singular, a expressão de uma sensibilidade e o resultado de uma habilidade”. A evolução dos quadrinhos na França, no Brasil ou em qualquer parte, passa, portanto, pelo amadurecimento do público, com o refinamento de seu gosto e discernimento. Hm.

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A Aventura dos fanzines

 

O Rebuliço apaixonante dos fanzines, baseado na dissertação de Mestrado de Henrique Magalhães, que foi o primeiro trabalho acadêmico do gênero no país, aborda a história dos fanzines desde seu início, na década de 1930, nos Estados Unidos, até a produção brasileira da década de 1980. Mas o trabalho concentra-se mesmo ha história dos fanzines no Brasil, que teve sua primeira publicação em 1965, em Piracicaba, sob o comando de Edson Rontani. Este fanzine pioneiro chamou-se Ficção, e era o boletim do Intercâmbio Ciência-Ficção Alex Raymond.

Além de definir o termo fanzine, o livro, ricamente ilustrado, classifica esses magazines em vários gêneros, com fanzines de música, literários, de cinema, além de quadrinhos, estes merecendo uma atenção especial do autor. Inserido no meio da produção – pois editava há anos suas revistas alternativas e seus próprios fanzines – o autor sentiu-se à vontade para dialogar com os editores de várias partes do país. A produção de fanzine é fluídica, pulsa e vibra em qualquer recanto que tenha um mimeógrafo ou uma fotocopiadora.

Por fanzine, entende-se os boletins amadores, sem fins lucrativos, feitos muitas vezes de forma artesanal (com colagens, impressos em mimeógrafos ou fotocópias). São editados quase sempre em pequenas tiragens e servem para a expressão livre de seus editores a respeito de qualquer arte ou hobby. No Brasil, a maioria é feita por indivíduos e não grupos organizados, mas eles mantêm entre si um forte intercâmbio de publicações e informações, criando uma verdadeira teia de comunicação e estreitando os laços de amizades. Os fanzines servem para a crítica das publicações do mercado, para o lançamento de novos autores e para as experimentações gráficas.

Além da história dos fanzines, o livro descreve seus vários momentos de esplendor e crise, até a incansável busca de perspectivas e saídas para a produção. Traz também uma introdução como referencial teórico à pesquisa, com a definição de imprensa alternativa. Por outro lado, os anexos mostram o processo de produção dos fanzines e a descrição de dois fanzines chaves para esse gênero de publicação: Quadrix, de Worney A. de Souza, e O Grupo Juvenil, fanzine de nostalgia dos quadrinhos editado por Jorge Barwinkel.

A pesquisa chega até 1990, mas aponta para as novas tendências que se confirmariam no decorrer da década seguinte, como a retomada da produção e o aperfeiçoamento técnico com a disseminação da informática.

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O texto revelado dos quadrinhos 

 

Marcelo Marat é daqueles que mata a cobra e mostra o pau. Que me perdoem o lugar comum, mas é o mais exato pra definir o engajamento do autor com a produção de histórias em quadrinhos. Ele acaba de nos revelar o processo criativo da arte seqüencial ao descrever os meandros da elaboração de roteiros para história em quadrinhos. Seu livro A palavra em ação: a arte de escrever roteiros para histórias em quadrinhos é um verdadeiro manual para aprendizes e veteranos nessa arte.

Para o autor, os objetivos do livro são possibilitar um estudo teórico sobre a elaboração de roteiros para histórias em quadrinhos, contribuindo para a formação de novos escritores, bem como promover o desenvolvimento da visão crítica e artística de futuros profissionais e leitores de quadrinhos. Marat parte do princípio de que é necessário contribuir para o aprimoramento dos quadrinhos produzidos no Brasil, e isto diz respeito não só ao artista como também ao público.

O Brasil não só tem memória curta – outro clichê que não contradiz a realidade – mas também investe pouco na educação e formação artística. Muito pouco tem sido feito para o aprimoramento dos quadrinhos no país. Se temos grandes desenhistas com renome internacional, no que toca o texto temos uma defasagem monumental, não tanto em relação aos Estados Unidos, onde a maioria da produção é lixo reciclado, mas em relação à Europa, onde os quadrinhos ganharam o status de arte. Salvo alguns estudos acadêmicos, não temos publicações abrangentes sobre o assunto nem cursos que realmente orientem e promovam a criatividade. O mercado fechado aos autores nacionais também não possibilita o exercício e amadurecimento de nossos cartunistas.

Marat não pretende resolver todos esses problemas com seu livro, mas nos oferece uma metodologia de trabalho bastante clara e eficaz. Os exemplos são abundantes em sua obra, que vão da linguagem dos quadrinhos, com seus balões, planos e ângulos até elementos fundamentais como ambientação, trama, argumento, narrativa e elaboração do texto em todas as suas nuances: diálogo, legenda, metalinguagem, gêneros descritivos etc.

 O trabalho de Marat não se caracteriza como um guia, no sentido próprio da palavra, não mostra os passos que o roteirista deva seguir. Mas fornece os meios e ferramentas de como se pode fazer um roteiro, dando fundamentação teórica para os vôos criativos de cada autor.

Um apêndice não obrigatório à obra é o próprio trabalho de Marcelo Marat. Para exercitar o conhecimento exposto no livro, ele mesmo se pôs ao trabalho, produzindo a série O Inquilino, fanzine em 12 edições onde ele desenvolveu vários formatos de roteiros, com gêneros variados, sempre em parceria com jovens cartunistas de todo o país. Este exercício foi a melhor forma de Marat auferir o alcance e funcionalidade de seus roteiros, transformando seu fanzine num verdadeiro laboratório de histórias em quadrinhos.

 Ao criar o primeiro livro no país a tratar do roteiro para as histórias em quadrinhos, Marat põe a vaidade de lado e afirma que pretende, com a obra, apenas servir como um precursor para trabalhos mais abalizados, com maior peso acadêmico e de pesquisa e uso de referências mais amplo e completo, se possível com pontos de vista diferentes. Modéstia de quem sabe que plantou uma pedra fundamental. Hm

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Um guia para a edição de fanzines 

 

Ao se falar de fanzines no Brasil temos necessariamente que passar pela obra de Edgard Guimarães. Quadrinhista exímio, produtor e editor de inúmeras publicações independentes, Edgard é ainda um camarada na expressão exata do termo. Seu contato com grande parte dos editores e leitores de fanzines no país se dá num clima de cordialidade rara num meio onde vez ou outra explodem egos insuflados.

Em plena crise da produção dos fanzines, na segunda metade dos anos 1980, estava Edgard a todo vapor, lançando verdadeiros álbuns temáticos, reunindo os maiores nomes dos novos autores de quadrinhos. Esse espírito militante, essa urgência visionária, faria com que ele lançasse pouco depois um projeto ousado: produzir e distribuir fanzines de vários editores de todo o Brasil. Em paralelo, passou a editar ele mesmo o que viria a ser o guia de nossa imprensa autoral, o fanzine Informativo de Quadrinhos Independentes. Atualmente conhecido apenas como QI, esta publicação reúne a cada dois meses centenas de títulos de fanzines, livros e álbuns não só de quadrinhos, mas de tudo o que circula fora do circuito comercial.

Conhecimento de causa, portanto, Edgard tem de sobra e não só por teorizações acadêmicas. Na prática ele construiu uma das mais ricas histórias do universo dos fanzines, com domínio de todas as suas fases de produção. É exatamente esta experiência que ele disponibiliza aos leitores por intermédio do livro que se tem em mãos.

Este trabalho tem os fanzines como tema, abordando seus variados aspectos, desde a definição do termo até a distribuição, passando por temas inusitados, mas interessantes, como a pirataria nos fanzines, as premiações e a relação com o meio profissional. Se no livro O Rebuliço apaixonante dos fanzines eu me detenho mais na trajetória dos fanzines no Brasil, Edgard procura ser mais didático, oferecendo aos leitores um precioso guia para quem quer adentrar o meio, com informações objetivas sobre os caminhos que se deve trilhar para se chegar à edição.

Enfim, é bom frisar que Fanzine teve sua primeira edição produzida pelo autor em janeiro de 2000 e se tornou de imediato, leitura imprescindível para quem admira ou estuda a cultura alternativa. Esta segunda edição, além de uma reverência ao trabalho de Edgard, tem o propósito de ampliar ainda mais seu público, favorecendo a produção independente no país. Hm.

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O herói na Grécia antiga

 

A partir da análise de A Ilíada, de Homero, e Édipo Rei, de Sófocles, Wellington Srbek faz um estudo sobre a figura do herói na Grécia antiga. A primeira parte do trabalho, intitulado O poder do Rei, traça um perfil da sociedade micênica e sua personagem central, o rei. Já em Agamenon, rei de Micenas, segunda parte do texto, é feita uma introdução ao estudo da obra de Homero. A terceira parte da monografia, A palavra do poeta, relaciona o poema que narra os últimos momentos da Guerra de Tróia com o contexto histórico em que ele surge, e com a sociedade grega que surgirá a partir dele, inspirada em seus ideais. Desse modo, Wellington parte do pressuposto de que Homero deve ser visto como representante de uma instituição grega: os poetas inspirados.

O autor considera que foi por meio do monopólio da palavra que se construiu o poder na Grécia antiga: “A força dos nobres origina-se nos ideais d’A Ilíada, que além de narrar as batalhas, mostra-nos O mundo dos deuses e dos heróis, como ele é visto pelos gregos através das palavras de Homero. Um mundo no qual O valor guerreiro é o bem maior.”

Foi ainda por intermédio dos poemas de Homero que a Grécia estruturou suas instituições, as relações sociais e seu pensamento, inspirados nos ideais aristocráticos. Contudo, uma nova sociedade surgiria ao longo dos séculos, fruto das relações sociais e tensões de classes, afastando-se do mundo homérico. Para Wellington, “como expressão dessa transição A palavra na polis adquirirá uma nova dimensão. Na medida em que há uma mudança no estatuto do guerreiro e uma conseqüente ampliação do espaço público, a palavra deixa de ser monopólio de uma classe, abrindo espaço para A ascensão da democracia.

É essa democracia que se espalha por todos os espaços da cidade, cujo cenário de novos protagonistas de uma nova história engendraria a Tragédia, que se traduz no diálogo da cidade consigo mesma, “a cidade em cena”. Neste contexto, os antigos heróis ressurgem com novos referenciais: “De modelo para o Homem, o herói transforma-se em um enigma: o que nos revelam As faces de Édipo?” É sobre esta transformação do herói da sociedade micênica à clássica que se debruça o trabalho de Wellington Srbek, de forma clara, objetiva e com a leveza na tessitura do texto pouco comum nos escritos acadêmicos.

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Mais que castelos de areia

 

É muito curiosa a proximidade entre os quadrinhos e a arquitetura. Ambos têm no desenho sua forma de expressão; nos quadrinhos, representando as seqüências e rupturas espaciais; na arquitetura, a virtualidade da representação espacial. Contudo, muito acima desses fatores meramente técnicos, o que leva o arquiteto ao encontro do quadrinhista é a possibilidade de criação ilimitada de mundos, universos, contextos sociais, personalidades e personagens que atuarão nesse espaço irreal.

O lado mais interessante desses dois artistas do traço é o exercício de seu espírito lúdico. Como não associar os quadrinhos aos jogos infantis, com suas representações imaginárias de mocinhos e bandidos, esconderijos, casas de bonecas, castelos encantados e mundos de assombração? O arquiteto não estaria fazendo o mesmo ao projetar cidades, condomínios, fábricas e residências que imaginar labirintos e minotauros, jogos de armar e de tabuleiros?

Se por um lado o arquiteto tem um objetivo claro, que deve responder à funcionalidade de sua criação, é justamente nos quadrinhos onde ele pode exercer todo seu potencial imaginativo. Seja na idealização de civilizações perdidas, seja na ambientação de espaços urbanos atuais, seja na invenção pura e simples de outros mundos, algo como uma ciência da antecipação.

Poder-se-ia dizer que esse caráter criativo, ou prospectivo, ou voltado à crônica do quotidiano, ou premonitório, não é um privilégio do quadrinhista nem do arquiteto, mas que outras artes podem igualmente utilizar o mesmo campo de criação, a exemplo do teatro, e particularmente do cinema. No entanto, é nos quadrinhos onde os limites são inexistentes, nem físicos nem orçamentários, bastando para o artista a utilização de materiais rudimentares. De seu papel e lápis podem surgir palácios, máquinas fabulosas, planetas e civilizações distantes, as mais exuberantes construções, as invenções mais fantásticas.

Ainda que o arquiteto possa projetar tudo isso, sua arte não se realiza se não for executada, se não ganhar vida concreta pela ocupação de seus destinatários. O mundo imaginário do quadrinhista só pede a cumplicidade do leitor, pois a arte do criador tem no desenho o seu fim.

É esta realização sem condicionantes, sem contingentes, sem fronteiras físicas e espaciais que certamente seduz o arquiteto, não sendo raros os casos de arquitetos que se tornam quadrinhistas. Imaginamos que mais que esse objetivo prático de realização por meio das imagens desenhadas está o resgate da liberdade infantil, assim como a possibilidade do fazer poético, num mundo cada vez mais instrumental.

Edgar Franco, arquiteto, quadrinhista, deve enxergar os quadrinhos como o espaço dessas possibilidades infinitas por meio de seu universo mítico, poético, surreal e filosófico. Com o livro História em quadrinhos e arquitetura Edgar nos mostra com maestria de sua formação acadêmica e sua paixão pela arte o quanto a interseção dessas duas expressões pode ser fecunda.

Num panorama que vai dos primórdios da linguagem ilustrada e seqüencial aos quadrinhos contemporâneos, ele traça com inúmeros exemplos as diversas expressões de quadrinhistas que buscaram na arquitetura o elemento fundamental para a realização de suas narrativas. Assim como nos aponta os arquitetos que ultrapassaram a fronteira do racionalismo para se fazer concretos no mundo dos sonhos.

H. Magalhães

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Entrevistas sobre quadrinhos

 

A história dos quadrinhos no Brasil é uma história de resistência e luta. A busca identitária de seus personagens (a maioria desenraizada de sua cultura natal ou simulacros de personagens estrangeiros), esbarra no desinteresse dos leitores, adestrados pela indústria cultural, e particularmente no descaso das editoras, que investem num mercado de lucro fácil.

Os autores, por sua vez, ressentem-se de um espaço próprio para sua expressão e desenvolvimento. Sem investimento não há produção, sem produção não há amadurecimento. O que esperar, então, da formação dos autores nacionais? O objetivo de se chegar ao mercado parece que não há perspectiva, embora o mercado seja o caminho natural para a cultura de massa.

Muitas iniciativas já foram tentadas para se encontrar o espaço de visibilidade e profissionalismo para nossos quadrinhos, de leis que garantam uma reserva de mercado à formação de cooperativas, da fundação de pequenas editoras à bravura do mano-a-mano, com a venda direta aos leitores, bem no estilo e estratégia da geração mimeógrafo.

Trilhando seu próprio caminho, temos uma legião de novos autores que só conseguem se mostrar por intermédio da edição de fanzines e edições independentes. Cada vez mais prolíferas, essas publicações enfrentam o desafio da descontinuidade, do círculo de iniciados e o limite das pequenas tiragens, que não propiciam aos autores mais que as contingências da produção amadora.

Malgrado os percalços do mercado, em termos de conteúdo os quadrinhos brasileiros são abrangentes, indo do universo infantil das personagens de Maurício de Sousa – único investimento dos quadrinhos de massa nacionais que realmente funcionam – ao filão do terror, de décadas passadas; da ficção científica a super-herói, da cultura popular e regional ao humor. Um universo criativo tão amplo merece uma reflexão aprofundada que aponte as razões para seu ostracismo e, principalmente, para a compreensão da força que move sua visceral resistência.

É a partir desses questionamentos que Wellington Srbek, pesquisador exímio que dedicou seu mestrado e doutorado à investigação sobre as histórias em quadrinhos, realiza uma série de entrevistas com autores brasileiros representativos de vários momentos de criação e processos de produção, traçando um importante painel não só histórico e raro, mas, sobretudo, por instigarem a reflexão.

Num país onde a leitura é um hábito elitizado, um livro com entrevistas sobre quadrinhos, um assunto ao mesmo tempo popular e marginalizado, é uma proeza que mostra bem o quanto se tem ainda a trilhar para que se atinja um estágio razoável de reconhecimento e valoração de uma arte secular. HM

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Aventura e reflexão

 

Os super-heróis como apresentados em meados do século XX não existem mais. Sua ingenuidade voluntariosa, sua apologia ao bem e à justiça deram lugar à supremacia da força e à sede de poder. Alguns chegaram mesmo a se converter em maus, como se deu com o jovem Kid Miracleman, o mais novo dos personagens da família Miracleman.

As histórias simplórias do bem contra o mal se transformaram em enredos rebuscados e repletos de referências bibliográficas, quem sabe para dar um caráter mais adulto e verossímil a um mundo em sua gênese fantasioso. Na década de 1960 já tínhamos a trama dramatizada e problematizada de personagens como Homem Aranha e Capitão América. Era uma forma de aproximar o mundo fantástico do mundo real dos jovens leitores da ficção alucinada dos super-heróis. O resultado foi a transformação completa desse universo mitológico, mudando os rumos de um gênero em vias de esgotamento.

A evolução dessa diretriz levou mesmo à própria negação do super-herói, como se vê em Batman, O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, onde um personagem envelhecido e psicótico não distingue mais os limites entre o bem e o mal. Mas, talvez os trabalhos mais complexos em função de sua linguagem, conceito e referências sejam as séries Monstro do Pântano, Sandman, Watchmen e, é claro, Miracleman.

Miracleman, tendo sido criado como Marvelman em substituição ao Capitão Marvel por motivos judiciais, sofreu, da mesma forma, uma série de percalços na seqüência de seu desenvolvimento, com interrupções de sua produção. A retomada do personagem pelo roteirista Alan Moore trouxe uma verdadeira renovação aos quadrinhos.

Para Márcio Salerno, Alan Moore, com Miracleman, praticamente inaugurou a tendência do uso de referências intelectuais, populares, artísticas e underground nas HQ adultas, utilizando, em particular, os conceitos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Miracleman viria a ser o personagem que encarnaria com mais perfeição o mito do Super-Homem. Trata-se aqui não do Superman, personagem de Jerry Siegel e Joe Schuster, mas do mito ariano preconizado por Hitler e o Nazismo, o homem superior, perfeito, de corpo e alma absolutamente sadios.

O propósito de Márcio Salerno com este ensaio é revelar aos leitores o que está por trás da série Miracleman e sua aproximação com o mito nietzscheano. A idéia de que o poder corrompe adquire uma escala superlativa ao se aplicar ao superpoder. É justamente esta a idéia que permeia a criação de Miracleman. Hm.

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A nova onda dos fanzines

 

Os fanzines, esses pequenos boletins de fãs, surgiram nos Estados Unidos na primeira metade do século XX, tornando-se o veículo dos novos autores da literatura popular, com destaque para a ficção científica. A difusão massiva das histórias em quadrinhos fez surgir também os fanzines sobre o tema, que se espalharam por vários países, despertando o interesse do público e incentivando a produção local. Os franceses atribuem aos fanzines o importante papel de revistas de estudo sobre a figuração narrativa e a responsabilidade pela afirmação dessa popular forma de expressão como verdadeira arte.

Os primeiros fanzines brasileiros surgiram em meados dos anos 1960, tendo como pioneiro Ficção, lançado por Edson Rontani em 1965, em Piracicaba, SP. Foi nessa época que começaram a circular os boletins amadores com anúncios de troca e venda de revistas, críticas e comentários sobre as histórias em quadrinhos.

A história dessas publicações amadoras foi analisada na dissertação de Mestrado de Henrique Magalhães, apresentada em 1990 na Universidade de São Paulo. O período estudado perfazia desde o surgimento dos fanzines no Brasil até o final da década de 1980, quando se deu a crise em sua produção. Esse trabalho rendeu dois livros: Um resumo da dissertação em O que é fanzine, editado na Coleção Primeiros Passos, da editora Brasiliense, e O Rebuliço apaixonante dos fanzines, com o texto completo e ilustrado, publicado pela editora Marca de Fantasia em conjunto com a Editora Universitária da UFPB.

 A nova onda dos fanzines retoma a história dessas publicações e sua consolidação como fenômeno no meio independente, analisando as transformações ocorridas em seu modo de produção a partir da década de 1990. O objetivo do trabalho não é o esgotamento do tema nem o levantamento exaustivo de todos os fanzines editados, mas o estudo de alguns aspectos significativos desse gênero de publicação e seu desenvolvimento como forma de produção.

Essa década representou uma verdadeira transformação no processo editorial dos fanzines no Brasil e significou a retomada de sua produção de forma mais sólida e inovadora. Foram tantas as experimentações e propostas editoriais que só isto bastaria para o desenvolvimento do corpo deste trabalho.

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Raul Seixas tem obra analisada

 

Sempre provocante, a obra de Raul Seixas continua muito popular, conseguindo atrair novas gerações com sua mensagem irreverente e por vezes transcendental. A editora Marca de Fantasia, voltada para a cultura pop e as histórias em quadrinhos, traz a público mais uma obra ligada à música popular: Raul Seixas e a modernidade: uma viagem na contramão, de Sonielson Juvino Silva. 

Para Sonielson, a idéia inicial deste trabalho surgiu da percepção de que Raul Seixas, mesmo morto, não só permanecia no imaginário musical brasileiro como até conseguia adquirir novos admiradores. A formatação original seria a publicação de pequenos ensaios em jornais, cada um com, no máximo, uma página. Porém, à medida que as pesquisas avançaram, as discussões tornaram-se mais amplas e os ensaios foram ficando maiores, convertendo-se em capítulos, e, estes, no livro.

A originalidade do trabalho de Sonielson está na abordagem. Geralmente, os livros sobre cantores no país restringem-se a apresentar estudos biográficos, antologias, entrevistas etc. Por outro lado, temos também obras apologéticas de fãs ardorosos. Sonielson parte para uma análise mais elaborada e, ao mesmo tempo, mais isenta do fenômeno Raul Seixas, abrindo possibilidades de debates sobre o legado do “maluco beleza”.

Apesar de o texto de Sonielson ser bem fundamentado, com um rico manancial de citações e referências, ele ressalta que não se trata de uma obra com rigor acadêmico. Nas Notas de rodapé encontram-se, eventualmente, informações adicionais sobre os assuntos vistos a cada parágrafo dos textos.

A obra está dividida em capítulos curtos e de fácil leitura, que podem ser lidos isoladamente. Contudo, a seqüência apresentada no livro segue a cronologia da vida do cantor. Somente algumas músicas, notadamente dos LPs Krig-há,bandolo e Gita, foram tratadas isoladamente, devido à importância que tiveram na carreira do cantor. O penúltimo capítulo faz uma abordagem vertical das capas dos discos de Raul, perpassando por toda a sua carreira artística.

Sonielson conclui que o caráter não-moderno da obra de Raul Seixas deslocou a sua obra do tempo em que viveu, tornando-a de fácil aceitação em qualquer época; não a identificando com um movimento histórico específico, e possibilitando a sua permanência até os dias de hoje.

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A Ciência na ótica dos quadrinhos 

 

Ciência e Quadrinhos, oitavo volume da Coleção Quiosque, é uma grande pedida para as pessoas interessadas em analisar como os roteiristas de HQ utilizam a ciência e a técnica em suas histórias. O livro é a transcrição do primeiro capítulo da dissertação de mestrado de Gian Danton (pseudônimo do professor universitário Ivan Carlo Andrade de Oliveira), defendida na Universidade Metodista de São Paulo, em 1997.

Em seu trabalho, Gian livro mostra como no começo, as histórias em quadrinhos têm uma relação de maravilhamento com a ciência. É uma fase ingênua, em que os cientistas são mostrados de forma romântica, como solitários benfeitores da humanidade ou solitários malucos, prontos para usar as suas descobertas para escravizar a humanidade. Num segundo momento, os cientistas são mostrados como fazendo parte de projetos governamentais, muitas vezes de natureza militar. Finalmente, em um momento mais recente, os quadrinistas passam a fazer uma avaliação crítica da ciência, divulgando novos paradigmas e denunciando aspectos ideológicos do fazer científico.

 A idéia para o livro surgiu a partir da grande procura por obras do gênero. “Muitos professores, interessados em usar as histórias em quadrinhos em suas aulas de ciências me mandavam e-mails perguntando se minha dissertação de mestrado já havia sido publicada. Percebi que havia a falta de um livro que analisasse como os quadrinhos podem refletir sobre a realidade científica e como isso pode ser feito sem perder o caráter de diversão dos gibis”, afirma o autor.

Gian Danton é autor de vários livros voltados ao jornalismo e à cultura pop, além de organizador da coletânea Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa. Em 1999 recebeu o Prêmio Especial Nova-SBAF por uma de suas histórias, ilustrada por Antônio Éder, publicada na revista Manticore Especial (editora Monalisa).

Colabora freqüentemente com diversos fanzines e publicações alternativas literárias e de quadrinhos. Atualmente é professor universitário em Macapá, Amapá.

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Trajetória das Bastianas é tema de livro

 

O grupo nasceu em João Pessoa, Paraíba, com o objetivo de resgatar e divulgar a cultura nordestina. O encontro deu-se em março de 1999, na Universidade Federal daquele estado, onde estas jovens garotas estudavam. Apaixonadas pela música, quanto mais adentravam neste universo, seja erudito ou popular, mais se encantavam. A influência de Luiz Gonzaga, Sivuca, João do Vale, Marinês, Lia de Itamaracá, Dominguinhos e outros ilustres nordestinos é inegável! Está intrínseca em suas composições e arranjos de forma única e original.

Desde que surgiu, o grupo conquistou muitos prêmios e espaço em jornais, emissoras de rádio, sites e importantes emissoras de televisão em todo Brasil, entre eles a Rede Globo e a TV Cultura. Participaram de eventos de norte a sul do país, dentre eles o maior São João do Mundo em Campina Grande/PB, Circuito Sesc/SP, Congressos Internacionais do Ministério da Saúde, shows em cidades em vários estados, como Bahia, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Paraná etc.

No primeiro CD de Bastianas, há clara homenagem ao Rei do Baião Luiz Gonzaga através da regravação da célebre canção “Asa Branca” (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Além desta faixa, a homenagem ao Rei do Rojão Jackson do Pandeiro, constante na música “Uma Levada Maneira”, torna evidente as influências de Jackson e Luiz Gonzaga na formação do grupo. Além disso, o CD intitulado “Chama Pra Dançar”, faixa-título, está recheado de xotes, baiões, xaxados e quadrilha, e ainda conta com as participações especiais de Dominguinhos e do grupo Cabruêra.  O nome do grupo é uma homenagem ao Paraibano Jackson do Pandeiro que gravou com grande sucesso a música “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti). Além disso, é uma forma de homenagear o povo nordestino e o  brasileiro como um todo, através da sua forma carinhosa e tradicional de apelidar os amigos, como Biu, Zé, Tião etc.

Estas jovens mulheres, por amor à música e à cultura brasileira, seguem seu caminho espalhando alegria por todo país e fora dele, através da autêntica raiz nordestina com pitadas de vestimentas contemporâneas.

A trajetória do grupo foi tema da grande reportagem As Bastianas — Origem, percurso e percalços: A sanfona ainda não desafinou”, de Célia Rejane Negreiros e Andréa Mesquita, apresentada para a conclusão do Curso de Comunicação Social da UFPB. Este trabalho transformou-se no livro “Bastianas”.

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Um universo em ebulição

 

Fonte de investigação inesgotável, o fanzine como fenômeno editorial tem rendido nos últimos anos cada vez mais interesse nos meios acadêmicos. Professores e estudantes de graduação e pós-graduação de universidades de todo o país têm se debruçado sobre essas pequenas publicações, produzindo artigos, monografias e dissertações sobre vários aspectos de sua edição.

A presente obra tem nos trabalhos acadêmicos sua motivação. O primeiro texto, “Fanzine no campo da Folkcomunicação”, trata-se de um artigo apresentado no Congresso Brasileiro de Folkcomunicação, ocorrido em Santos, SP, em maio de 2002. O segundo, “Fanzine e a revolução telemática”, é a seqüência de um estudo iniciado no Mestrado de Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo. Este também é um artigo acadêmico, tendo sido apresentado no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, da Intercom, em setembro de 2003, em Belo Horizonte.

Foi no Mestrado da USP que dei início às pesquisas sobre o universo do fanzine, traçando um paralelo com a imprensa alternativa que vigorou no país nas décadas de 1960 e 1970. Nesse estudo pioneiro no campo da comunicação, foi preciso definir o que é fanzine, registrar sua origem e história desde 1965, quando foi lançado Ficção, em Piracicaba, SP, pelas mãos de Edson Rontani, até a conclusão da pesquisa, em 1990.

O resultado desse trabalho rendeu, além de artigos, três livros desse autor e mais uma porção de pesquisas desenvolvidas por estudantes universitários de todo o país. Os livros resultantes da dissertação foram: O que é fanzine, editado pela Brasiliense em 1993 na Coleção Primeiros Passos, que aborda apenas a parte histórica da pesquisa; O rebuliço apaixonante dos fanzines, editado pela Marca de Fantasia em 2003, que é a adaptação do texto integral da dissertação amplamente ilustrado; e finalmente A nova onda dos fanzines, também editado pela Marca de Fantasia em 2004, que atualiza a pesquisa analisando o desenvolvimento do fanzine e outras publicações semelhantes a partir de 1990 até o início dos anos 2000.

Um aspecto abordado apenas superficialmente nesse último livro – a fantástica revolução dos meios de comunicação com o advento da internet e outras mídias eletrônicas – é o corpo desse novo trabalho. O fenômeno fanzine ampliou-se e ultrapassou os limites do papel impresso. Agora encontramos fanzine em vídeo, em CD-Rom, na rede de computadores por meio de revistas eletrônicas e grupos de discussão e até na já obsoleta fita cassete.

Todas essas novas formas de arquivar e transmitir informações não ficariam muito tempo longe da inquietude dos editores de fanzine. As vantagens dos meios eletrônicos sobre o papel são muitas e alguns editores de fanzine se entregaram incondicionalmente a sua sedução. Contudo, o meio impresso também apresenta vantagens inalienáveis, como sua mobilidade, e permanece como um forte veículo para boa parte dos editores de fanzine.

Essas mudanças e os rumos que tem tomado o fanzine carecem de um estudo mais sistemático, mas há que se considerar que os meios eletrônicos apenas começam a ser descobertos e que existe uma perspectiva ilimitada para seu desenvolvimento. Este, portanto, é um trabalho de investigação inicial, que pretende fazer um registro das novas tendências já observadas no fanzine e uma análise de suas resoluções. Como no trabalho realizado no Mestrado da USP, esperamos que o mesmo sirva como referência para outras pesquisas que revelem mais aspectos desse fantástico mundo que é a edição de fanzine.

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