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ÁLBUNS

MACAMBIRA E SUA GENTE

Henrique Magalhães

2ª ed. 2003. 17cm x 24cm, 52 p. R$ 10,00

As personagens abordam a homossexualidade sob o prisma do humor.

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MARIA

Henrique Magalhães

1998. 19cm x 26cm, 52 p. R$ 10,00.

As tiras de Maria tratam dos conflitos do quotidiano, dos fatos políticos, da luta das minorias, numa linguagem entre o cartum e a charge.

O INQUILINO

Marcelo Marat & Emanuel Thomaz

2003. 64p. 17cm x 24cm. R$ 10,00

Marcelo investe na elaboração de roteiros e Emanuel experimenta vários estilos de traço: mistura bem dosada que nos dá muito boas histórias em quadrinhos. 2 exemp.

PASSAGEIRO DA NOITE

Nuno Nisa

2000. 17cm x 24cm, 64 p. R$ 8,00.

Os caminhos do "passageiro da noite" são a busca do sentido da vida, das descobertas interiores, dos questionamentos sobre as razões da existência. 3 exemp.

TERNÁRIO M.E.N.

Gazy Andraus

2001. 17cm x 24cm, 64 p. R$ 8,00.

Inspirado nos quadrinhos franceses da década de 1970, Gazy tem desenvolvido uma das mais consistentes e inquietantes obras voltadas aos quadrinhos poéticos. 

 Em falta 

GUERRA DAS IDÉIAS

Flávio Calazans

4º ed. 2001. 17cm x 24cm, 68 p. R$ 10,00.

A história da humanidade através de suas lutas e filosofias, na visão de Flávio Calazans.

AGARTHA

Edgar Franco

2ª ed. 2002. 17cm x 24cm, 66 p. R$ 10,00.

Na linha dos quadrinhos poéticos, Agartha está repleto de simbologia e imagens oníricas. 6 exemp.

O HUMOR GRÁFICO DE LUZARDO ALVES

Luzardo Alves

1ª edição em álbum esgotada.

Ver edição no formato livro, em "Livros HQ".

TRANSESSÊNCIA:

Transcendendo a essência

Edgar Franco

2003. 17cm x 24cm, 56 p. R$10,00.

Edgar Franco reúne neste álbum algumas de suas melhores HQ poéticas, sem, contudo, perder a unidade da obra.

 Em falta 

A GUERRA DOS GOLFINHOS

Flávio Calazans

2002. 17cm x 24cm, 70 p. R$ 10,00.

A pretensão de hegemonia dos seres humanos da superfície vai levar à iminência de uma guerra contra os habitantes dos oceanos: a Guerra dos Golfinhos.

 

Pedidos com cheque nominal ou vale postal para Henrique Paiva de Magalhães. Rua Antônio Lira, 970/303. João Pessoa, PB. 58045-030 - Para depósito bancário, fazer contato pelo endereço mdefantasia@ig.com.br 

 

A busca da essência em sua representação poética

 

A História em Quadrinhos é uma arte dinâmica, que não pára de nos surpreender. Sua peculiar linguagem narrativa, com seus signos gráficos e a imbricada narrativa gráfico-textual renova-se de forma incessante, desde sua imprecisa origem em meados do século XIX. Das tiras humorísticas à crônica familiar, das grandes aventuras ao universo mítico dos super-heróis, das novelas gráficas aos quadrinhos poéticos, tudo é mutante nesta arte que seduz todas as gerações por sua graça, seu dinamismo, seu encantamento.

Uma das linhas mais instigantes da dita arte seqüencial é a que associa a linguagem poética, de caráter metafísico e filosófico ao grafismo onírico da representação de mundos que existem apenas na imaginação. Esse gênero de quadrinhos muito apreciado e desenvolvido por autores franceses a partir da década de 1960, bem representado na obra de Druillet, Moebius e Caza, encontra um forte eco e ares de renovação numa gama de excelentes cartunistas brasileiros.

Edgar Franco é um desses expoentes do que passamos a chamar quadrinhos poéticos. Ele é já um velho conhecido no meio editorial independente, com trabalhos editados em inúmeros fanzines, álbuns e revistas de autor ou de pequenas editoras que atuam fora do mercado. Todavia, e para o prazer de um público menos dirigido, começa só agora a alcançar novos horizontes, com sua obra chegando às livrarias especializadas.

Protagonista de uma trajetória evolutiva das mais virtuosas, Edgar aprofundou sua concepção gráfica e textual com um lirismo enternecedor. Suas reflexões e questões pessoais – a eterna busca do eu, da origem do universo, da compreensão do ser – não perdem a perspectiva da linguagem própria aos quadrinhos - a narrativa de uma história – quando a tentação seria a simples criação de uma poesia ilustrada.

É esse domínio de linguagem, além da amostragem representativa de sua obra, que o álbum Transessência nos traz. Edgar faz uma viagem ao interior da alma, com sua investigação filosófica, a qual comungamos enquanto seres universais. Hm.

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Uma história universal

 

A Guerra dos Golfinhos nos leva a mais uma viagem pelo universo mítico de Flávio Calazans. Como tão bem sabe fazer, o autor consegue transportar seus personagens e elementos ficcionais à mais plausível realidade. Ao mesmo tempo, projeta a criação para uma dimensão universal, ao retratar os conflitos humanos e as lutas pelo poder.  

Em outra guerra, a Guerra das Idéias, Calazans já nos apresentava as lutas que agitaram o mundo através do tempo e do espaço. Nela, pequenas histórias isoladas mostram o modo de ser e agir do homem em sua evolução por meio de confrontos históricos. A Guerra dos Golfinhos traz uma outra densidade, ao ser construída como uma história dramática perpassada pelos choques ideológicos, diferentemente de Guerra das Idéias, onde o tema era o elemento unificador.

Este detalhe faz a diferença na obra de Calazans. A concepção de uma história em quadrinhos, assim como a de um filme, exige um trabalho complexo de elaboração, onde pesam a construção das personagens, a ambientação, o desenvolvimento dramático, as elipses, o jogo de sedução por intermédio do manejo consciente do que se deve ocultar ou expor, da ordem de aparição das cenas, de uma conclusão coerente, ainda que por vezes aberta ou não explícita. Enfim, o domínio da narrativa e dos elementos estruturais é o que faz a graça ou infelicidade de um autor.

É justamente este domínio que vislumbramos em A Guerra dos Golfinhos, que é ainda realçada pelo traço sugestivo e personalizado de Calazans, já tão apreciado no meio independente e pelos leitores de quadrinhos mais atentos. Hm

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A escrita como exercício e arte

 

Por doze edições Marcelo Marat esteve à frente do fanzine O Inquilino, numa investida rara no meio independente no Brasil: o planejamento de um projeto editorial fechado, bem definido em seus objetivos e em sua realização. Com O Inquilino, ele criou um veículo para o aperfeiçoamento da tessitura do texto, para o desenvolvimento do roteiro dirigido às histórias em quadrinhos. Mais que esse fim alcançado, Marat ainda nos ofereceu a descoberta de excelentes jovens desenhistas.

O Inquilino trouxe a cada número o traço de diferentes desenhistas, que davam vida plástica aos roteiros de Marat. Dessa forma, Marcelo dedicou-se a experimentar várias formas de contar histórias e buscou na diversidade gráfica aquela expressão que melhor traduzia o clima de seus roteiros.

Sem dúvida, este foi um projeto muito interessante e também incomum nos quadrinhos brasileiros. O espaço dos fanzines volta aí a sua gênese, prestando-se essencialmente à busca de novas linguagens e ao descobrimento de novos caminhos. Malgrado a enxurrada de fanzines e publicações independentes que procuram apenas copiar os heróis da moda, há ainda quem se preocupe em desenvolver um trabalho profundo e original.

Os quadrinhos de Marcelo Marat podem ser lidos como contos, que fazem em suas histórias curtas uma releitura do cotidiano em seus aspectos mais peculiares, ainda que para isto ele tenha que fazer uso de, por vezes, situações banais. Suas HQ tratam o ritmo próprio às grandes cidades de forma tenra e por vezes crua, nos pequenos gestos, em atitudes corriqueiras, na cumplicidade dos que buscam no outro a única saída possível para o reencontro com uma humanização ameaçada.

Por outro lado, é no aspecto voraz e desestruturador da metrópole que Marat encontra o meio para trabalhar seus conflitos. A urbanidade, imbuída da perversidade oculta, da ânsia existencial, do descaminho, torna-se então um monstro devorador de almas.

Mas que não se pense que as histórias que fazem O Inquilino resvalam para o lugar comum ou cedem ao apelo fácil do sexo e da violência. Ainda quando se trata da violência explícita, o leitor é levado a uma meditação filosófica. Um exemplo pinçado da obra e que a representa de forma exemplar é a história "A ajuda", onde um jovem, ao tentar socorrer uma mulher em luta com seu marido, acaba se envolvendo no conflito e o mata. O mau uso da mão que mata, mesmo que de forma não intencional, remete ao início da história, à contemplação do jovem a um quadro de Rembrandt.

Vê-se em "A ajuda" os ingredientes de uma boa HQ: história redonda, com começo, meio e fim, mas não hermética; ao contrário, ela nos leva a voltar ao início numa retomada de seu processo narrativo e à reflexão sobre as referências utilizadas. Se a HQ está centrada em ações e situações bem delineadas, sem exageros nem omissões, ao mesmo tempo esta releitura abre caminho para subjetivações.

É justamente o domínio narrativo com a possibilidade de reflexão e diversas interpretações que caracterizam a obra aberta, poética, transgressora e, por que não, revolucionária. Com O Inquilino,  Marcelo Marat, de forma transparente, nos revela seu processo criativo demonstrando de forma prática as teorizações sobre a construção de roteiro apresentadas de forma homeopática nas edições de seu fanzine. Hm.

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Macambira escancara o sexo com humor

 

O mundo dos quadrinhos é predominantemente machista, seja no que tange seus autores, seja em suas produções. São raros os exemplos de cartunistas a enfocar a feminilidade ou mesmo a homossexualidade, temáticas que são verdadeiros tabus entre seus pares. Neste meio, a mulher é comumente um objeto de desejo sexual, o gay sempre um motivo de chacota, um reforço ao ridículo e ao execrável. Por seu lado, os cartunistas gays se contam nos dedos, ao menos os que se afirmam claramente.

No universo criativo de Henrique Magalhães seus personagens sempre trataram as questões existenciais de forma a realçar o lado mais humano, mais sensível, ou no mínimo se permitindo o recurso da dúvida quanto às escolhas sexuais, como ocorre eventualmente com as personagens Maria e Pombinha. Consideradas por muitos leitores como personagens lésbicas, elas na verdade abordam a questão como parte da problemática das relações humanas e sociais, não assumindo de forma decisiva uma postura nesta direção.

Henrique nunca escondeu sua identidade homossexual, tendo participado da militância organizada na Paraíba, no início dos anos 1980, contra todo tipo de discriminação. Seu trabalho com os quadrinhos não poderia, evidentemente, passar ao largo dessa questão inquietante e tão em evidência nos dias atuais. Ao construir a personagem Maria de forma tão abrangente, sentiu-se quase que na obrigação de criar outras figuras que expressassem o universo homossexual de maneira mais específica e incisiva.

As tiras de Macambira e sua gente, publicadas em meados da década de 1990 no jornal diário O Norte, de João Pessoa, Paraíba, vieram atender a essa expectativa não só dos leitores, mas, sobretudo, do próprio autor. Macambira, Rico e Maçola formam um grupo de amigos que tratam sob os mais variados ângulos a questão homossexual pelo viés do humor. A militância do autor, que nesta série se coloca curiosamente como a personagem Rico, deu-lhe a segurança e a propriedade para abordar certos pontos nevrálgicos do universo homossexual, jogando mesmo com os clichês, que em outros autores facilmente descambariam para o preconceito e a grosseria.

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